Consumo industrial de energia cai pelo 5º mês seguido — o que isso sinaliza? 

Consumo industrial de energia cai pelo 5º mês seguido — o que isso sinaliza? 

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homens trabalhando na indústria
homens trabalhando na indústria

A indústria brasileira voltou a consumir menos energia elétrica em março de 2026, completando cinco meses consecutivos de retração. A última alta havia sido registrada em outubro de 2025. 

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que o consumo total de energia no país chegou a 48.886 GWh em março, queda de 2,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. 

No setor industrial, o consumo somou 16.581 GWh, recuo de 1,3% na mesma base de comparação. Entre os 37 segmentos acompanhados, 22 registraram queda. Os principais impactos vieram da metalurgia (-7,9%; -342 GWh) e da indústria química (-3,5%; -55 GWh), influenciada pela paralisação de uma planta de cloro-soda em Alagoas. 

Outros segmentos também apresentaram redução, como borracha e plástico (-1,1%; -10 GWh), produtos de metal (-2,8%; -10 GWh), automotivo (-1,1%; -6 GWh), minerais não metálicos (-0,5%; -6 GWh) e têxtil (-0,1%; -1 GWh). 

Por outro lado, alguns setores puxaram crescimento no mês, como a extração de minerais metálicos (+8,3%; +106 GWh), com destaque para o Pará; a indústria de alimentos (+3,7%; +85 GWh), principalmente no Paraná e em São Paulo; e papel e celulose (+3,2%; +26 GWh), com avanço no Maranhão e em São Paulo. 

A sequência recente confirma a tendência de queda: fevereiro (15.727 GWh; -1,1%), janeiro (15.794 GWh; -1,3%), dezembro (15.754 GWh; -3,3%) e novembro (16.768 GWh; -0,6%). 

Esse movimento indica uma perda de ritmo da atividade industrial, especialmente em segmentos mais eletrointensivos, que tendem a ajustar rapidamente a produção diante de custos, demanda e nível de estoques.  

A retração também sugere um cenário de desaceleração mais disseminada, já que atinge a maioria dos setores monitorados. Por outro lado, o avanço em áreas ligadas a commodities – como mineração, alimentos e papel e celulose – mostra que a dinâmica externa e a competitividade de alguns polos regionais ainda sustentam parte da carga industrial. 

Consumo residencial também recua 

consumo residencial somou 16.070 GWh em março de 2026, com queda de 2,3% frente ao mesmo mês de 2025 – retração mais intensa que a observada em fevereiro (-1,2%). 

Segundo a EPE, o resultado está ligado a temperaturas mais amenas em parte do país e a mudanças no ciclo de faturamento de algumas distribuidoras. 

Regionalmente, Sudeste (-7,0%) e Sul (-4,6%) puxaram a queda, enquanto Norte (+8,4%), Nordeste (+4,3%) e Centro-Oeste (+2,6%) avançaram. 

Entre os estados, as maiores retrações ocorreram no Rio Grande do Sul (-12,7%), Rio de Janeiro (-11,5%) e São Paulo (-8,9%). Nos dois últimos, o maior volume de chuvas e ciclos de faturamento mais curtos contribuíram para reduzir o consumo. 

Na outra ponta, os maiores crescimentos foram registrados em Roraima (+17,1%), Rondônia (+12,9%) e Alagoas (+12,3%). Em Roraima, a alta está associada à conexão ao Sistema Interligado Nacional, que ampliou a oferta de energia. Já em Alagoas, o calor mais intenso na capital ajudou a elevar o consumo. 

Comércio tem leve queda 

consumo do setor comercial atingiu 9.402 GWh em março, com leve recuo de 0,4% na comparação anual. 

A EPE atribui o resultado ao desempenho mais fraco das atividades de comércio e serviços, além de fatores como clima mais ameno e maior volume de chuvas, que reduzem a demanda por refrigeração. 

Mercado livre segue em expansão 

No recorte por ambiente de contratação, o mercado livre respondeu por 21.887 GWh — o equivalente a 44,8% do consumo nacional — com crescimento de 2,4%. O número de consumidores nesse ambiente avançou 23,6%. 

A região Norte liderou a expansão, com alta de 12,5% no consumo e de 37,4% no número de consumidores livres. 

Já o mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, somou 26.999 GWh (55,2% do total), com queda de 5,8% no consumo, apesar do aumento de 1,7% na base de clientes. Apenas o Norte apresentou crescimento nesse ambiente (+5,8%). 

Desde a abertura do mercado livre para consumidores de alta tensão, em janeiro de 2024, cerca de 26 mil unidades migraram em 2024 e outras 19 mil em 2025. Para 2026, a expectativa é de mais 10 mil migrações, segundo dados da ANEEL. 

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