A carga associada aos data centers conectados à Rede Básica deverá crescer de 315 MW médios, em 2026, para 5.653 MW médios em 2030. A projeção representa um aumento de quase 18 vezes em quatro anos e reforça o peso desses empreendimentos sobre a expansão da demanda por energia elétrica no Brasil.
Os dados fazem parte da segunda Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga para o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030, elaborada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A previsão para os data centers em 2030 aumentou 2.196 MW médios em relação ao estudo anterior. Na primeira revisão quadrimestral, a estimativa era de aproximadamente 3.457 MW médios para o fim da década.
A nova projeção considera a totalidade dos pedidos de acesso à Rede Básica que já possuem contrato assinado e 50% das solicitações que receberam parecer favorável. Atualmente, existem 27 contratos assinados e 30 pareceres de acesso favoráveis emitidos.
Outros 21 pedidos que ainda estavam em análise não entraram no estudo. Dessa forma, a carga efetiva dos data centers poderá ser ainda maior, caso parte desses projetos obtenha parecer favorável e avance para a contratação do acesso.
Os empreendimentos estão concentrados nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul. A base utilizada no levantamento foi atualizada em 22 de julho de 2026.
Previsão para a carga do SIN sobe 3,1 GW médios
O crescimento dos data centers foi um dos principais fatores por trás da revisão da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para 2030, a nova estimativa passou de 98.824 MW médios para 101.947 MW médios, aumento de 3.123 MW médios, ou 3,2%, em relação à projeção anterior.
O acréscimo de 2.196 MW médios atribuído à revisão dos data centers equivale a cerca de 70% da elevação da previsão para a carga total do SIN em 2030.
Na comparação com 2025, quando a carga alcançou 81.630 MW médios, a demanda do sistema deverá crescer 24,9% até o fim da década. A taxa média de expansão prevista para o período é de 4,5% ao ano.
A carga deve chegar a 84.989 MW médios em 2026, avanço de 4,1%. Para os anos seguintes, o estudo prevê 88.785 MW médios em 2027, 92.634 MW médios em 2028, 97.153 MW médios em 2029 e 101.947 MW médios em 2030.
O incremento anual também tende a aumentar ao longo do horizonte. A carga deve crescer 3.360 MW médios em 2026 e alcançar uma expansão de 4.795 MW médios em 2030.
Nordeste terá maior crescimento percentual
O Nordeste deverá apresentar a maior taxa média de crescimento entre os subsistemas, com avanço de 6,4% ao ano. A região também terá um salto de 11,7% em 2030, quando o incremento da carga deverá alcançar 1.914 MW médios.
No Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parcela do consumo nacional, o crescimento médio projetado é de 4,3% ao ano. O aumento médio anual da carga deverá atingir 2.151 MW médios.
Para os subsistemas Norte e Sul, as taxas médias previstas são de 4,3% e 3,7% ao ano, respectivamente.
As projeções consideram um crescimento do PIB brasileiro de 2,1% em 2026, 2% em 2027 e 2,5% ao ano entre 2028 e 2030. Entre os riscos para o cenário estão os conflitos geopolíticos, as restrições fiscais e monetárias e os impactos das mudanças climáticas, incluindo a possibilidade de eventos extremos associados ao El Niño.
Geração distribuída deve alcançar 72,5 GW
A capacidade instalada acumulada de micro e minigeração distribuída deverá alcançar 72,5 GW em 2030. O número representa um aumento de 5 GW, ou 7,4%, em relação aos 67,5 GW projetados na primeira revisão quadrimestral.
Em termos de geração média, a MMGD deverá passar de 8.536 MW médios em 2026 para 11.240 MW médios em 2030, com crescimento médio de 9,6% ao ano.
O Sudeste/Centro-Oeste deverá concentrar 5.868 MW médios no fim do período, seguido pelo Nordeste, com 2.386 MW médios; Sul, com 2.001 MW médios; e Norte, com 985 MW médios.
Entre os fatores que podem favorecer essa expansão, o estudo cita os incentivos ao armazenamento previstos na Lei nº 15.269/2025, o benefício do Reidi para a minigeração, o aumento dos sistemas grid zero, o avanço dos veículos elétricos e a demanda reprimida por eletricidade.
Por outro lado, juros elevados, aumento do imposto de importação de inversores, cobrança crescente do Fio B e negativas de acesso causadas por inversão de fluxo podem limitar o crescimento. O cenário ainda apresenta incertezas relacionadas à reforma tributária, às mudanças regulatórias e à eventual aplicação de cortes de geração à MMGD.