A região Nordeste concentrou 71% da potência dos projetos cadastrados para os dois Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência por meio de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias. Os certames serão realizados nos dias 2 e 4 de dezembro.
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram cadastrados 6.091 projetos, que somam 296.807 MW de potência. O volume representa um recorde de participação em leilões do setor elétrico brasileiro e evidencia o interesse dos agentes na implantação de sistemas de armazenamento no país.
A concentração dos projetos no Nordeste está relacionada à maior necessidade de flexibilidade operativa na região, que reúne uma parcela significativa da capacidade instalada de geração eólica e solar do Brasil.
Nesse contexto, as baterias podem contribuir para aumentar a segurança do sistema e permitir o deslocamento da energia produzida em períodos de elevada oferta para os horários de maior demanda.
Depois do Nordeste, a maior participação ficou com o Sudeste, que respondeu por 18,8% da potência cadastrada. Na sequência aparecem o Sul, com 5,1%; o Centro-Oeste, com 3,4%; e o Norte, com 1,6%.
De acordo com a EPE, o elevado volume de projetos reforça o papel estratégico do armazenamento para atender às novas necessidades do Sistema Interligado Nacional (SIN). As características modulares dos empreendimentos e a dispensa de licença ambiental e de determinadas certificações na fase de cadastramento também contribuíram para o número expressivo de inscrições. O licenciamento ambiental será exigido após a realização dos leilões.
Projetos podem disputar os dois certames
O governo realizará dois leilões de baterias. Um deles será exclusivo para equipamentos com conteúdo nacional, enquanto o outro também permitirá a participação de sistemas importados.
No primeiro certame, foram cadastrados 5.269 projetos, que somam 261.408 MW. O segundo recebeu 5.734 projetos, com potência total de 281.003 MW.
Os números não devem ser somados porque parte dos empreendimentos está inscrita nos dois certames. Segundo a EPE, 4.939 projetos, equivalentes a 245.603 MW, concorrerão em ambos os leilões.
O cadastramento também não significa que todos os empreendimentos estão aptos a participar da disputa. Os projetos passarão agora pelas etapas de análise e habilitação técnica conduzidas pela EPE, conforme os critérios estabelecidos para os certames.
Somente após essa avaliação será possível conhecer a quantidade de projetos e a potência efetivamente habilitada. Pelo cronograma, o resultado da habilitação técnica será divulgado em 17 de novembro.
Contratos terão duração de 15 anos
Os dois leilões terão contratos com prazo de 15 anos e início de suprimento previsto para 1º de agosto de 2028. Os projetos deverão apresentar potência mínima de 30 MW, capacidade de descarga por seis horas e eficiência de, pelo menos, 85%.
Durante o período de cadastramento, a EPE respondeu a mais de 1.300 dúvidas encaminhadas pelos agentes interessados nos certames.
O elevado volume inscrito amplia a competição esperada nos leilões, mas a dimensão efetiva da oferta dependerá da habilitação técnica e das condições de conexão dos projetos.
A análise será especialmente relevante diante da forte concentração de empreendimentos no Nordeste, região que já enfrenta limitações na infraestrutura de transmissão e elevados níveis de restrição da geração renovável.