Leilão de transmissão 2026: primeira etapa viabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos  

Leilão de transmissão 2026: primeira etapa viabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos  

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Leilão de transmissão 2026 primeira etapa viabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos
Leilão de transmissão 2026 primeira etapa viabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu, no dia 27 de março, a primeira etapa do leilão de transmissão de 2026, realizada na B3, em São Paulo. O certame terminou com 100% dos cinco lotes arrematados e deságios que variaram entre 37% e 55%, sinalizando forte apetite dos investidores por ativos de transmissão. 

Ao todo, o leilão contempla a implantação de 798 km de linhas de transmissão e nove subestações, somando 2.150 MVA de capacidade de transformação, além da instalação de compensadores síncronos – ativos estratégicos para reforço da estabilidade eletromecânica do sistema. Os empreendimentos estão distribuídos por estados como Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo. 

Deságio elevado e impacto tarifário 

A Receita Anual Permitida (RAP) máxima somada alcançou R$ 286,2 milhões, com deságio médio de 50,7% – um dos mais relevantes desde 2020. Na prática, esse nível de competição tende a se traduzir em modicidade tarifária, com estimativa da Aneel de economia de R$ 7,6 bilhões aos consumidores ao longo dos 30 anos de concessão. 

Detalhamento dos lotes 

Lote 1 
Arrematado por R$ 46,6 milhões (deságio de 46,85%), o lote prevê duas linhas de transmissão (43 km) e duas subestações, totalizando 800 MVA. Com investimento estimado em R$ 528,8 milhões e prazo de 49 meses, o projeto reforça o atendimento à região Sul Fluminense (RJ), além de áreas de Bragança Paulista (SP) e sul de Minas Gerais. A expectativa é de geração de cerca de 1,3 mil empregos. 

Lote 2 
Com lance vencedor de R$ 18,1 milhões (deságio de 46,89%), o lote envolve uma linha de 137 km, com investimento de R$ 193,6 milhões. A obra amplia a capacidade do sistema em 230 kV no trecho Ponta Grossa – São Mateus do Sul – Canoinhas, entre Paraná e Santa Catarina. O prazo é de 42 meses, com estimativa de 553 empregos gerados. 

Lote 3 (sublotes) 
Dividido em quatro sublotes, o empreendimento foi arrematado com RAP total de R$ 104,1 milhões, representando o maior deságio do leilão (55,05%). O foco é a instalação de compensadores síncronos no Ceará e no Rio Grande do Norte, com investimento estimado em R$ 1,38 bilhão. As obras devem ser concluídas em até 42 meses, com geração de aproximadamente 3,9 mil empregos. 

Lote 4 
Arrematado por R$ 25,5 milhões (deságio de 37,89%), o lote inclui duas linhas (113 km) e uma subestação (300 MVA), com investimento de R$ 230,4 milhões. O projeto fortalece o atendimento à carga em Sergipe e contribui para a expansão do sistema no nordeste da Bahia. 

Lote 5 
Com RAP de R$ 91,1 milhões e deságio de 50,89%, o lote abrange duas linhas (505 km) e três subestações (1.050 MVA). O investimento estimado é de R$ 1,01 bilhão, com prazo de 60 meses. Os empreendimentos visam ampliar o suprimento elétrico em regiões do Mato Grosso e do Pará, com potencial de geração de cerca de 2 mil empregos. 

Próximas etapas 

A segunda fase deste leilão (com os lotes 7 a 10) ainda terá data definida. Paralelamente, a Aneel já trabalha na estruturação de um novo certame de transmissão, previsto para outubro, com expectativa de movimentar cerca de R$ 22 bilhões em investimentos. A consulta pública com os detalhes deve ser aberta nas próximas semanas. 

O resultado reforça a atratividade do segmento de transmissão, sustentada por receitas reguladas e previsibilidade de fluxo de caixa. Para o mercado, o elevado nível de deságio indica competição acirrada e custo de capital mais eficiente – fatores que, no médio prazo, contribuem para tarifas mais competitivas e maior robustez do Sistema Interligado Nacional (SIN). 

Para os geradores de energia renovável, a expansão da infraestrutura de transmissão é um vetor relevante – aumenta a segurança do fornecimento e amplia as possibilidades de escoamento da energia em diferentes regiões do país. 

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