MME abre consulta pública sobre recarga de veículos elétricos e impactos nas redes 

MME abre consulta pública sobre recarga de veículos elétricos e impactos nas redes 

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MME abre consulta pública sobre recarga de veículos elétricos e impactos nas redes
MME abre consulta pública sobre recarga de veículos elétricos e impactos nas redes

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu a Consulta Pública nº 237/2026 para reunir informações sobre a expansão da infraestrutura de recarga de veículos elétricos e sua integração às redes de energia elétrica. O período de contribuições começou em 23 de outubro e segue até 22 de novembro de 2026. 

A iniciativa pretende subsidiar um diagnóstico nacional sobre as condições de acesso à recarga, as dificuldades de conexão dos empreendimentos e a capacidade das redes de distribuição para acompanhar o crescimento da demanda. Também busca identificar barreiras legais e regulatórias que possam atrasar investimentos ou elevar os custos dos projetos. 

Segundo a nota técnica que fundamenta a consulta, o Brasil ainda não dispõe de informações consolidadas sobre a cobertura territorial da recarga, os horários de utilização dos carregadores e os prazos e custos de conexão à rede. Essa lacuna dificulta a coordenação entre a instalação de novos pontos e os investimentos na infraestrutura elétrica. 

O tema ganha relevância diante das projeções de crescimento do consumo. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), a eletromobilidade poderá demandar aproximadamente 15 TWh de eletricidade em 2036.  

Expansão da frota aumenta demanda por infraestrutura 

Os dados apresentados na nota técnica mostram uma aceleração do mercado brasileiro. Segundo números da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram emplacados 381.609 veículos leves eletrificados entre janeiro e setembro de 2026, volume cerca de 70% superior ao registrado em todo o ano de 2025. 

Desse total, 303.457 eram elétricos a bateria, conhecidos pela sigla BEV, ou híbridos plug-in, os PHEV. Essas categorias utilizam recarga externa e têm interação direta com o sistema elétrico. 

Já os híbridos convencionais e os híbridos flex sem tomada, embora façam parte das estatísticas de veículos eletrificados, não demandam infraestrutura de recarga e estão fora do escopo da iniciativa. 

A rede de carregamento também avança. Conforme dados da ABVE, o Brasil contava com 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em setembro de 2026, crescimento de 17,45% em relação a junho. 

A distribuição territorial permanece desigual. São Paulo concentrava 26,3% dos pontos e, somado aos três estados da Região Sul, reunia 50,7% do total nacional. Os sete estados da Região Norte respondiam por 3,4%. 

Segundo o ministério, a avaliação da infraestrutura precisa considerar, além da quantidade de equipamentos, localização, potência, disponibilidade, confiabilidade, transparência de preços e interoperabilidade entre sistemas. 

Recarga pode pressionar a demanda nos horários de pico 

Um dos principais pontos da consulta é compreender como o carregamento dos veículos afeta as redes de distribuição. Os impactos dependem do volume de energia consumida, da potência dos carregadores e da concentração das recargas em determinados locais e horários. 

De acordo com a nota técnica, a recarga residencial dos veículos leves tende a ocorrer no início da noite, coincidindo com o pico de consumo das redes de distribuição. O carregamento simultâneo pode elevar a demanda sobre circuitos e transformadores, ampliando a necessidade de reforços. 

Na projeção preliminar do PDE 2036, os veículos leves responderiam por 9,4 TWh do consumo associado à eletromobilidade em 2036. Os ônibus urbanos representariam 4,6 TWh, enquanto os caminhões consumiriam 0,7 TWh. 

A gestão da recarga é apontada como uma alternativa para reduzir a pressão sobre a infraestrutura. Ao deslocar parte do carregamento para períodos de menor utilização da rede, essas estratégias podem melhorar o aproveitamento dos ativos e reduzir a necessidade de investimentos adicionais. 

Ônibus, frotas e rodovias terão avaliação específica 

A consulta dedica um eixo às chamadas cargas concentradas, como garagens de ônibus urbanos, bases de frotas logísticas e de veículos de aplicativo e estações de recarga rápida em rodovias. 

Nesses casos, a potência exigida em pontos específicos da rede precisa ser compatibilizada com a capacidade disponível e com os horários de operação dos veículos. Entre os aspectos a serem investigados estão simultaneidade das recargas, necessidade de obras, prazos de atendimento, custos de energia e demanda e contratação do suprimento. 

O avanço dos carregadores em corrente contínua também merece atenção. Em setembro, esses equipamentos representavam 38,2% dos pontos públicos e semipúblicos do país, com 11.397 unidades. Por concentrarem potência elevada e permitirem recargas mais rápidas, podem exigir maior capacidade da rede nos locais de instalação. 

Integração com solar e baterias pode oferecer flexibilidade 

A nota técnica também destaca o potencial dos veículos elétricos e das instalações de recarga para atuar como recursos energéticos distribuídos. 

A combinação de carregamento inteligente, geração fotovoltaica e armazenamento pode contribuir para administrar a demanda local e apoiar a integração de fontes renováveis.  

Tecnologias bidirecionais, como o Vehicle-to-Grid (V2G), permitem ainda o fornecimento de energia dos veículos à rede, desde que existam condições técnicas e operacionais para isso. 

Segundo o documento, o aproveitamento dessas possibilidades depende de sinalização tarifária adequada, regras de acesso e operação, padrões de interoperabilidade e dados sobre a capacidade de modulação das cargas. 

A consulta busca reunir evidências para avaliar essas soluções e sua incorporação ao planejamento e à operação das redes. 

Contribuições vão subsidiar diagnóstico nacional 

A Consulta Pública nº 237/2026 está organizada em seis eixos: acesso à recarga; conexão das instalações às redes; planejamento da distribuição e gestão da demanda; dados e projeções; barreiras legais e regulatórias; e cargas concentradas. 

O levantamento também contempla dificuldades enfrentadas por moradores de condomínios e consumidores sem garagem privativa, além de possíveis conflitos entre exigências federais, estaduais e municipais. 

Nesta etapa, a consulta tem caráter de coleta de subsídios e não estabelece novas obrigações para os agentes. O diagnóstico resultante deverá orientar a identificação de ajustes normativos, o planejamento das redes de distribuição e os próximos ciclos dos estudos de expansão energética.

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